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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

É lei federal: ônibus tem que ter elevador para embarque e desembarque de pessoas em cadeiras de rodas

É lei federal: ônibus tem que ter elevador para embarque e desembarque de pessoas em cadeiras de rodas. Mas, em Belo Horizonte, o equipamento não garante o atendimento da população.
O ônibus do analista financeiro Sandro Waldez chega. Com o celular, ele registra um impasse: o veículo tem espaço reservado para cadeirante, mas não possui elevador.
“Segundo o motorista a empresa tem uma norma que não leva cadeirante em carro que não tenha elevador. O trocador está ligando para a empresa para ver o que ele vai fazer. E não me levou, foi embora”, relata Sandro.
A má vontade é comum. “O elevador está quebrado, não pode esperar o outro não, gente boa? Estou tomando até remédio para dor nas costas”, diz o motorista.
Outro ônibus não demora, mas o mesmo problema acontece: “O elevador está estragado, não está descendo”, afirma um funcionário.
Em outro ponto, a cobradora tenta acionar o elevador de um ônibus, mas o aparelho está em péssimas condições. O elevador funcionou, mas não chega até a calçada. É um dos problemas mais comuns, porque o ônibus para muito longe do meio-fio.
“Não tem como embarcar, porque não dá para pular o meio-fio”, explica Sandro.
O motorista ainda faz uma manobra e tenta parar o ônibus mais próximo da calçada, mas não é o suficiente para o analista conseguir embarcar.
“Ainda ficou longe. Não tem como eu pular”, diz Sandro.
Somente na terceira tentativa Sandro consegue embarcar. Ele ainda precisa pegar outro ônibus, que também para longe. Ainda tem o motorista, que não quer saber de colaborar.
Quando não há equipamentos também é difícil ter acesso ao transporte público. Em Belo Horizonte, 25% dos ônibus não são adaptados.
“Por várias vezes eu me sinto esquecido, humilhado, porque eu ando de cadeira de rodas. Mas eu estudo, eu trabalho, quero levar uma vida independente da melhor forma possível”, conta Sandro.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de elo Horizonte informou que as empresas fazem manutenção frequente dos elevadores. Afirmou também que a trepidação e a poeira do asfalto, com o tempo, danificam a engrenagem dos equipamentos. E declarou que os motoristas e cobradores passam por treinamento.

http://www.sandrowaldez.com.br/

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O mais cruel é que o desrespeito reflete a desigualdade'

No país em que são assassinadas 148 pessoas por dia, em números ainda de 2009, segundo o IBGE, o que falta é um profundo respeito pela vida humana. O mais cruel é que o desrespeito reflete a desigualdade. Os mais maltratados são os mais pobres.
O que sofrem os doentes renais crônicos em Sergipe acontece em outros estados do Nordeste, do Norte, do centro-oeste, e até do Sul e Sudeste. A rede pública não está equipada para atender quem precisa. Como disse um político cearense para um médico amigo meu: hospital para pobre, para que luxo? O desrespeito tem a audácia de fazer ironia.
Com o transporte público a relação é parecida. Em Brasília, na capital do país, por exemplo, os ônibus são velhos, tem goteiras, caem aos pedaços e ai de quem precise embarcar de cadeira de rodas. A lei manda que o ônibus tenha elevador, para o passageiro com cadeira de rodas ter acesso. Pois nem fora do ônibus há acesso. Faltam rampas no meio-fio, as calçadas têm buracos e são mal pavimentadas.
Tudo isso é resultado dessa cultura de desrespeito à vida humana, no país que adora falar em direitos humanos. Só fala, enquanto agride esses direitos. E para fingir que está tudo bem, escreve leis afirmando que todos são iguais perante a lei, que cadeirante pode entrar no ônibus, que a saúde é direito de todos.
 
Comentario de Alexandre Garcia Sobre a reportagem vinculada no Bom dia Brasil comigo no dia 16-07-2012 http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/07/cadeirantes-enfrentam-desafios-para-usar-transporte-publico-em-minas.html

http://www.sandrowaldez.com.br/