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quinta-feira, 16 de maio de 2013

"Sonho em disputar as Paraolimpíadas"

"Sonho em disputar as Paraolimpíadas"

É com muita garra e determinação que Sandro Waldez de Souza Oliveira, mineiro de 34 anos, está prestes a enfrentar um grande desafio: participar da II Copa Brasil de Esgrima em Cadeira de Rodas. Esta proeza era inimaginável há algum tempo atrás, quando perdeu o movimento das pernas após ser atingido por uma bala perdida, quando ainda era um adolescente de 16 anos de idade. Sandro passou por momentos muito difíceis, mas acabou aceitando sua nova condição e aprendendo a lidar com isso: “Sou hoje um homem com o coração cheio de esperança, a cabeça cheia de ideias e o mais importante: com vontade de fazer acontecer. Desde sempre descobri que os limites quem impõe é você mesmo. E para superá-los basta ter atitude”.


Como é seu Trabalho?

Trabalho no controle de estoque e emissão de notas em Belo Horizonte. 



Você conhece o programa de incentivo ao esporte do Governo Se sim, o que acha dele? 

Conheço sim, é uma iniciativa que ajuda mas não resolve o problema, esta iniciativa deveria ser copiada por varias empresas do nosso país, acredito que o envolvimento dos voluntários e apoiadores é de suma importância para o incentivo e o crescimento dos que praticam esportes e são acolhidos pelo programa. 


Na sua opinião, ainda há no mercado muito preconceito em relação aos profissionais que são portadores de alguma deficiência?
Não faltam vagas para os deficientes, mas em geral as oportunidades poderiam ser melhores. Além dessa questão, temos outras dificuldades inclusive para chegar ao trabalho devido a falta de transporte público adequado  e a falta de respeito das pessoas em geral. 


Poderia comentar um pouco sobre sua deficiência?

Aos dezesseis anos, fui vítima da violência urbana: uma bala perdida me deixou sem os movimentos das pernas, dependendo da cadeira de rodas para me locomover. Assim como para inúmeros cadeirantes, um dos maiores obstáculos para continuar a estudar é o transporte público e a dificuldade de acesso às instituições de ensino. Mesmo com tantas dificuldades, fui dando a volta por cima, o tempo passou e continuei reivindicando meus direitos e dos deficientes. Voltei a estudar, conclui com determinação o 2º grau e agora estou fazendo curso superior de Engenharia de Produção..

Como será a sua participação na II Copa Brasil de Esgrima em Cadeira de Rodas? Quais as suas expectativas?

Vou participar da II Copa Brasil de esgrima que ira acontecer em São Paulo nos dias 06 a 09 de Junho, competindo na espada. Minha expectativa é ganhar mais experiência para conquistar uma vaga na seleção de esgrima, mas estou ciente que não será fácil trilhar este caminho. Tenho determinação e força de vontade para continuar meu treinamento. A Copa do Brasil irá me auxiliar a identificar quais são os pontos fracos  que preciso evoluir, pois vou competir com os melhores atletas da esgrima do nosso país, dentre eles medalhistas paraolímpicos.  Gostaria também de aproveitar a oportunidade, de agradecer a todos aqueles que se dispuseram a ajudar na realização deste sonho. E que acreditaram e apoiaram a torna-lo realidade.


Qual a importância da participação de deficientes no mundo do esporte?

Para as pessoas com deficiência, praticar esportes pode representar muito mais que saúde.  São vários os aspectos positivos. O esporte melhora a condição cardiovascular dos praticantes, aprimora a força, a agilidade, a coordenação motora e o equilíbrio. No aspecto social, o esporte proporciona a oportunidade de sociabilização entre pessoas com e sem deficiências, além de torná-lo mais independente no seu dia a dia. Isso sem levar em conta a percepção que a sociedade passa a ter das pessoas com deficiência, acreditando nas suas inúmeras potencialidades.   No aspecto psicológico, o esporte melhora a autoconfiança e a autoestima O esporte é muito importante para mim, pois com ele, sinto que tudo é possível dentro das minhas limitações e adaptações.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Olimpíadas de Londres é medalha de ouro em acessibilidade

A cidade de Londres respira Olimpíadas, em cada esquina se encontram pessoas de diversas nacionalidades orgulhosamente carregando suas bandeiras. E apesar de receber diariamente um milhão de visitantes além do comum, parece ter se preparado muito bem para esse momento.
 Em visita à Prefeitura de Londres, esta semana, as consultoras para assuntos Olímpicos e Paraolímpicos, Julie Fleck e Terry Day, contaram à equipe do site Romario.org que a acessibilidade sempre esteve entre os assuntos prioritários em todas as discussões sobre a preparação dos jogos.

 Elas citaram como exemplo as plantas de edifícios novos que chegavam à prefeitura. Segundo as consultoras, os projetos que não estivessem de acordo com as normas britânicas não recebiam autorização para iniciar as obras, a não ser que fizessem as devidas alterações, que elas chamam de “inclusivas”.

 Explicaram ainda que as adaptações foram além da acessibilidade. “O ideal é possibilitar que os deficientes se locomovam de forma independente, tendo em vista que obras acessíveis, rampas muito íngremes ou portas giratórias, nem sempre têm essa finalidade”, explicaram. Elas descreveram ainda que o conceito de adaptação inclusiva significa adequar o ambiente para que todos possam entrar e sair pela mesma porta de acesso, sem discriminar o deficiente, obrigando-o a utilizar uma porta diferente, nos fundos ou em laterais onde haja rampas.

 A acessibilidade é levada tão a sério, que a comissão olímpica criada para os jogos é chamada de Olímpica e Paraolímpica, sem discriminação das fases dos jogos, pois ao iniciar a construção das arenas para as competições, havia sempre a preocupação de que ali também seriam recebidos atletas paraolímpicos e visitantes deficientes. Contudo, as consultoras afirmam que nem sempre foi assim. A luta pelos direitos dos deficientes se iniciou há quase 40 anos, pelos próprios deficientes que moram na capital, que saíram às ruas para reivindicar por mudanças.

Enquanto isso no Brasil, a acessibilidade ainda não está no topo das prioridades. Apesar da luta incessante do deputado Romário para que o assunto esteja sempre em discussão dentro da Câmara dos Deputados, observa-se que ainda há muito a ser conquistado quando o tema é acessibilidade inclusiva.

O deputado Romário lamenta que os brasileiros não tenham ainda a mentalidade dos ingleses em relação à acessibilidade, apesar de ter 30 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Para ele, o Brasil caminha a passos de tartaruga em direção às conquistas dos deficientes físicos, mentais ou intelectuais. “Eu, sendo um deputado que venho lutando por uma qualidade de vida melhor para as pessoas com deficiência, espero muito que essas novas obras para a Copa das Confederações de 2013, Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, possam trazer resultados positivos, legados, pra esse segmento da nossa sociedade. Aqueles que duvidam, é só dar um pulinho aqui em Londres e ver que realmente é possível, quando se quer e se tem vontade. Não adianta sermos a 7ª economia do mundial se nem todos se beneficiam com isso. Em termos de acessibilidade, não figuramos ainda nem entre os 50”, observa Romário, e pede: “Acorda Brasil!”.
fonte:http://www.romario.org

 apoio: http://www.sandrowaldez.com.br/